
sábado, 28 de maio de 2011
O MUSEU DA INOCÊNCIA, ORHAN PAMUK

sexta-feira, 13 de maio de 2011
NOVO LIVRO DE RUY

Pois, então, lá estarei para os devidos brindes aos livros que chegam, aos amigos em volta e a esta vida invernal que insiste em dizer sim.
Vamos todos à Fonte, na próxima terça-feira, 17, beber da melhor poesia e da amizade positiva.
domingo, 8 de maio de 2011
MATERNURA
o hálito doce
o olhar cálido
a mão suave
ternamente pousada em nossa testa
a medir tremores infantis
o rosto vincado pelas dores pressentidas
o coração em descompassadas batidas
o corpo curvado debruçado no leito
o amor remédio a jorrar do peito
vem do berço
do seu toque protetor no silêncio noturno
dos esfregões e cuidados
a energia umbilical
que nos faz eternas crianças
a buscar amparo e cura
no colo sempre morno da infância
nas mais doces lembranças
que a vida nos pode legar:
a ternura materna a nos enlançar
in Matalotagem e outros poemas da viagem, Letras da Bahia, Secult/BA, 2006.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS
Morfina me trouxe o altar-mor, com o Cristo crucificado e deitado, morto de dor e chagas, coberto com um cetim roxo e triste, até a cintura. Mas entre mor e morte faltava um pedacinho que estava escrito na noite. Noite que me engolia para o nada.
[...]
O senhor Morais, com presteza, fervia a seringa na lata, armada como um navio incendiado no fundo do prato de louça. O álcool cheirava a meu pai quando voltava do trabalho. Ele parava no bar da esquina, com os amigos, como se numa estação da via-sacra.
Eu espiava, com dor, a agulha furar a carne pouca de minha mãe. Ela então não mais cantava ou gemia. Silenciava. A morfina apagava o altar-mor, a Josefina, o Mistura Fina, o José, e os ais do senhor Morais. Ela dormia a noite toda, um sono pesado, mas temporário, eu sabia, como tudo mais, naquela casa da rua Alferes Esteves.
Esta é uma amostra da literatura infantojuvenil praticada por Bartolomeu Campos de Queirós, em "Ler, escrever e fazer conta de cabeça", editado pela Global Editora, em 2004. Uma prosa rica em poesia que me foi apresentada por M. como exemplo de literatura infantojuvenil contemporânea. Narrativa sem diminutivos, que respeita o leitor de todas as idades, em especial, o público a que se destina.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
POESIA REUNIDA, FLORISVALDO MATTOS

Este é um grande momento da literatura brasileira: o lançamento da Poesia Reunida e Inéditos, de Florisvaldo Mattos. Aposentado das lides jornalísiticas, o poeta lapida sua obra para nosso deleite. Dia 14, próxima quinta-feira, temos um encontro marcado com o melhor da poesia e da amizade. Na livraria Cultura do shopping Salvador. Regado a bom vinho, com certeza.
"O vasto conjunto lírico que encontramos nesta Poesia reunida e inéditos representa, portanto, um monumento da poesia brasileira de entre a segunda metade do século passado e a primeira década do presente, erguido por um espírito agudamente atento ao tempo e dele liberto, como sempre é, paradoxalmente, o dos grandes poetas." (Alexei Bueno).
Aí vai um aperitivo, que um dia o poeta me enviou por e-mail (que não consegui publicar aqui em sua forma correta, em quartetos, pelo que me desculpo):
DUAS ALMAS
Quando Auden nasceu, já Kaváfis ia
Por botequins à caça de mancebos.
Na gelada York, o sol fulgia lépido,
Tanto quanto o farol de Alexandria.
Quando morreu Kaváfis, Auden já
Deixara o áspero barro de Inglaterra,
Por desgosto, por dor, talvez vergonha
De insano amor sujeito a controvérsia.
História e erotismo a ambos deram chão
De sentir e veraz profundidade.
Nada lhes obsta o ardor de transgredir,
De afrontar maldições, hipocrisias.
Irmãos de alma e desejo interditado,
A sombra de ambos pelos portos vaga,
Adentra alcovas cujos balcões se abrem
Para oásis de prazeres e jardins.
Espelho de iguais em duas idades,
Se neste um se mira, logo o outro põe
No lume de cristal que reverbera
Douto narciso de modernidades.
É límpido o que a face do cristal
Reflete, igual à líquida de um rio:
Um – rei do Egito, o cinto de ametista;
O outro, a túnica sépia de milícia.
Dupla tenaz que para o mundo ostenta
A aura sábia de seres desertados.
Kaváfis, Auden: um, dois séculos viu;
O outro, só um – de horror, tormento e guerra.
Ambos hoje nos parques de jacintos
Unidos vão, espíritos de mãos
Dadas, que ao chão da vida mais importam
Sonho e amor nas pegadas da beleza.