domingo, 9 de outubro de 2011

SEXTA E SÁBADO, EM CACHOEIRA





No próximo sábado, a partir das 10h, participarei na Festa Literária Internacional de Cachoeira - FLICA, da mesa "O romance e a grande literatura", ao lado dos escritores Mayrant Gallo e Jorge Araújo, mediada por Vágner Fernandes.

Levarei ao debate a minha experiência de contador de histórias, o que verdadeiramente sou. E espero assim contribuir positivamente para a construção de mais e maiores dúvidas sobre o tema e suas variações sanguinolentas.

Pelo que li no site da Flica (flica2011.com.br), a programação acontecerá no Conjunto do Carmo, na praça da Aclamação, e não mais no campus da UFRB.

Na sexta-feira, dia 14, a partir das 19h, no Pouso da Palavra, participarei da programação alternativa Damário da Cruz, em uma mesa mediada por Gal Meirelles que reunirá um grupo de escritores de minicontos (Mayrant Gallo, Thiago Lins, Lidiane Nunes, Elieser Cesar, Igor Rossoni, Rafael Rodrigues), ocasião em que será lançada a coletânea "Tarde com anões", da qual participo com alguns trabalhos.



Imagens: blog da Flica e cartaz do evento de minicontos

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ULISSES

Que afinidades especiais lhe pareceram existir entre a lua e a mulher?

Sua antiguidade em preceder e sobreviver a sucessivas gerações telúricas: sua predominância noturna: sua dependência satélica: seu reflexo luminar: sua constância sob todas as suas fases, erguendo-se e pondo-se em suas horas indicadas, ficando cheia e sumindo: a invariabilidade forçada de seu aspecto: sua resposta indeterminada à interrogação inafirmativa: sua força sobre as águas efluentes e refluentes: seu poder de enamorar, mortificar, investir com beleza, tornar insano, incitar e auxiliar a delinquência: a inescrutabilidade tranquila de seu rosto: a terribilidade de sua isolada dominante implacável resplendente propinquidade: seus presságios de tempestade e de calmaria: a estimulação de sua luz, seu movimento e sua presença: a advertência de suas crateras, de seus mares áridos, de seu silêncio: seu esplendor, quando visível: sua atração, quando invisível.


Esta é uma das questões que compõem o capítulo dezessete do "Ulisses", de James Joyce, na tradução da professora Bernardina da Silveira Pinheiro, em edição da Objetiva, 2005. O estilo adotado no capítulo é o catequético, todo ele em perguntas e respostas, formuladas por um supranarrador especulativo endereçadas ao narrador onisciente do romance, que desvenda os movimentos físicos e intelectuais, por assim dizer, de Stephen Dedalus e Leopold Bloom, no interior e no jardim da casa do último, e muito mais de Bloom solitário. Concluo a terceira leitura deste romance de minha predileção como se fosse a primeira, já com saudades do capítulo inicial. E, sim, a tradução da professora Bernardina expõe a coloquialidade e o humor do texto de Joyce, praticamente inencontrável na tradução do professor Houaiss, na minha humilde opinião, e catapulta o prazer da leitura às alturas.