sábado, 31 de dezembro de 2011

ESTEJAM BEM NO ANO QUE VEM



Apois, passei boa parte da noite finda a lembrar das amizades que conferem importância a nossa vida.

Queria abraçá-los a todos e agradecer a cada um o conforto que me dá suas existências, por mais distantes que alguns estejam.

Tudo indica que continuarei por aqui, a tecer histórias, a cuidar da saúde e a amar os meus amores, não necessariamente nesta ordem.

E a esquecer rapidamente "a maldade de gente boa... a bondade da pessoa ruim".

E a lembrar com alegria, como quem prepara novidades, dos encontros e dos apoios que me trouxeram até este ponto, a esta parte da estica (como dizia minha mãe).

Então, vamos rompendo, a construir paz e saúde. Daqui pra lá, de lá pra cá. Juntos.

Com esperança em 2012,

meus abraços,

Carlos Barbosa


Imagem: quadro de Wellington Virgolino

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

BONS ENCONTROS

Deixo aqui meus votos de boas viagens a todos que buscarão o seio de suas famílias, mesmo aquelas curtinhas até a próxima esquina.

E que retornem muito mais leves e animados dessas viagens, para enfrentar 2012 com disposição e alegria.

O ano ainda está agitado pelas bandas de cá, correria sem fim. Outra correria se avizinha; que venha, pois já estamos indo em sua direção.


Vamos viver nosso tempo. Antes que um dos dois se acabe.


UM ABRAÇÃO PARA TODOS.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

LEITURAS RECENTES

A PAIXÃO DE A. - de Alessandro Baricco, Cia das Letras, 2011, tradução de Roberta Barni. Apresentado como romance diferente dos anteriores, pelo tom realista em oposição à atmosfera onírica até então predominante em sua obra, o aguardado livro de Baricco, lançado na Itália em 2009, não traz nenhuma novidade: é igualzinho aos outros em estrato de beleza. Li de uma sentada. Está lá sua inconfundível prosa poética, inventiva estonteante, condução voejante e segura, e principalmente personagens inesquecíveis. O anônimo narrador nos conta de si e de seu grupo de amigos, que formam uma banda. Eles tocam na igreja, durante a missa. Baricco nos leva ao mundo dos que têm fé e uma certa inocência, amparada no cristianismo. Baricco nos aproxima do universo sensorial desses jovens e, aos poucos, nos envolve no ziguezague das descobertas juvenis na contemporaneidade e de suas consequências sempre imediatas. A vida que nos ensinam a viver e a vida que aprendemos a viver, sempre um desastre; o modo de amar que julgamos correto e o amor que explode qualquer barreira e se reveste da maior beleza que pode ser possível. Sonho e realidade, os territórios da literatura desse autor que, ao lado de Junot Diaz e Chris Offut, conseguem produzir a literatura mais atraente e inovadora de nosso tempo. Talvez porque escrevam sobre si mesmos e sua gente, da maneira que sabem, se lixando para o que possam achar dos seus livros.Talvez.

ZEN E A ARTE DA ESCRITA - de Ray Bradbury, Leya, 2011, tradução de Adriana de Oliveira. Surpreendente. Simples e direto, o autor relata sua experiência de escritor em ensaios escritos e publicados ao longo de décadas, reunidos no livro. "Encontre um personagem, como você, que vai querer ou não querer algo com todo o coração. Mande-o correr. Atire-o para fora. Depois o siga o mais rápido que puder. O personagem, em seu grande amor ou ódio, vai empurrá-lo até o final da história." Bradbury prega a honestidade como necessidade básica do escritor, que não deve hesitar ao escrever, não deve permitir elaborações do pensamento, deve executar sempre o "mergulho na verdade". Um livro para ser lido muitas vezes, não para aprender fórmulas, mas para sedimentar a disposição de rasgar a própria carne, de seguir o instinto, de deixar brotar das profun dezas do seu próprio ódio e das alturas de seus amores, o melhor que se pode expressar literariamente.

[POEMAS] - de Wislawa Szymborska, Cia das Letras, 2011, tradução de Regina Przybycien. Muito citada contemporanemante por seu poema "As três palavras mais estranhas", a poeta polonesa escreveu e publicou pouco, mas suficiente para merecer o Nobel em 1996. Dito isso, posso apenas acrescentar que a edição é bilingue e aqui o famoso poema citado: "Quando pronuncio a palavra Futuro, / a primeira sílaba já se perde no passado. // Quando pronuncio a palavra Silêncio, / suprimo-o. // Quando pronuncio a palavra Nada, / crio algo que não cabe em nenhum não ser." Poeta essencial, mesmo que gasta a expressão.

NOTAS DO SUBTERRÂNEO - de Fiódor Dostoiévski, Bertrand Brasil, 2008, tradução de Moacir Werneck de Castro. Também traduzido como "Memórias do subterrâneo", este pequeno romance causa no leitor uma gastura perturbadora. Um personagem investiga a miserabilidade de sua própria vida, sem se poupar de registros de mesquinhez, perfídia, fraqueza moral. Fiódor vai fundo, segue o personagem, como diz Bradbury, em suas andanças pervertidas e imobilidade pegajosa de inseto. Até onde podemos ir, mesmo que em fantasia? Mesmo que em tendência reconhecida e aceita? Ao ato ignóbil, à inércia suicida? "Ora, estou certo de que o homem jamais renunciará ao verdadeiro sofrimento, isto é, à destruição e ao caos. O sofrimento é a única fonte da consciência." Uma leitura que se equipara a enfrentar os desafios morais e intelectuais propostos pelo narrador, que servem muito mais a construção de dúvidas sobre a condição humana que qualquer certezinha de louça. O que é sempre muito bom.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

PRÊMIO HERA PARA "BEIRA DE RIO, CORRENTEZA"

Beira de rio, correnteza foi o vencedor do primeiro Prêmio Hera de Publicação na categoria "obras de autores baianos publicadas em 2010". O prêmio é uma criação da Fundação Pedro Calmon e premiou também as melhores dissertações e livro de humor.

O resultado foi publicado no Diário Oficial da Bahia, edição de ontem, 08 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Contos de sexta-feira, de Carlos Ribeiro, ficou em segundo lugar, o que conferiu uma baita grandeza à conquista do meu romance, pois o livro do xará é excelente.

Estou contente, quase feliz. Espero que o Prêmio Hera (título em homenagem a revista literária do mesmo nome) leve mais alguns leitores ao romance. Que é, na verdade, o que mais quer um escritor: leitores do seu trabalho.

Agradeço os telefonemas, os torpedos, os e-mails me parabenizando. Devolvo os parabéns a esses amigos que leram meu livrinho. Abraços e até o próximo... livro, é claro.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

DA ORFANDANDE

Quem estava na plateia no dia em que participei do Café Literário, na Bienal 2011, reparou que eu me emocionei quando falei de um episódio de minha infância que inspirou o capítulo da bicicleta no romance "Beira de rio, correnteza". O assunto por si só me é doloroso. Mas dias depois caiu-me a ficha: aquele dia era 29 de outubro, umas 19 horas no horário de verão, umas 18 horas no horário normal - exatos 10 anos antes, ao anoitecer, morria minha mãe.

Demorei alguns anos para escrever sobre minha mãe. Provável que ainda não tenha conseguido. Mas em meu livro de contos, ainda inédito, está posto "Corpo de mãe", do qual extraí o pequeno trecho que destaco abaixo.

As visitas entupiam corredor e quarto. Era como se estivéssemos no Bendiá, na casa do meu avô, faltante apenas o café adoçado com rapadura e o farfalhar das saias rodadas das sete irmãs a receberem pretendentes. Ela era modista, fina. Era, primeiro de tudo, linda. E as conversas evoluíam de um ponto a outro, como se o velório estivesse instalado. E se falava do calor, da chuva que não se mostrava no céu, em compra de gado, em conserto de carro, em conta bancária arruinada, em viagem para São Paulo, em parentes distantes, na carestia, da corrupção de certas autoridades, de gangues juvenis que a cidade passava a conhecer, de dores nas juntas, das estradas esburacadas, e meu peito travava gritos: calem-se! Saiam daqui! Sumam, todos! É minha mãe quem está a morrer! Morro também eu-menino; tudo que representei para ela com ela se vai... silêncio! Toda expectativa e desconforto da gestação, toda alegria e dor do parto, todo cuidado ao me limpar e banhar e alimentar por todos os anos da minha infância, todo remédio ministrado, a lista de minhas doenças, as datas de meus machucados, de minhas travessuras, todo curativo aplicado, minhas roupas costuradas e remendadas e lavadas e passadas, toda palavra dura de repreensão e castigo, minhas más-criações, toda palmada e todo beijo, principalmente todo beijo, todo meu preparo de gente, tudo em mim que reconheço bom e generoso, tudo de mim que não habita minha memória vai-se embora com ela, se perderá... calem-se!

Assim eu presto uma pequena homenagem à maternura de D. Zezé, mãe de Mayrant, que partiu tão cedo. Não há idade para a orfandade, amigo.