segunda-feira, 20 de maio de 2013

LITERATURA E FUTEBOL


Então a bola vai rolar. O técnico já escalou o time e definiu o esquema tático. A estratégia de jogo vai sendo revelada aos poucos. 

Partida importante, trato cuidadoso, um certo mistério, muita expectativa. A bola vai rolar em junho, sabe-se agora. Falta pouco, falta pouco.

82, uma copa, quinze histórias, sai pela editora Casarão do Verbo com organização de Mayrant Gallo. Visitem o hot-blog do livro pelo link aí ao lado, ou digitem na barra de endereços:       82umacopa15historias.blogspot.com

Conheça no hot-blog quem são os autores e faça o aquecimento com textos e videos sobre a famigerada Copa de 82 e sua tragédia brasileira.

Jogo de cintura, minha contribuição.

domingo, 19 de maio de 2013

LUGAR COMUM


Quebrangulo, Itabira,
Cordisburgo,
Stratford-upon-Avon
e algum lugar denominado berço,
dizem do coração,
da pedra lima
e da geometria elástica
de nossa desventura

a humana coisa
se faz
num átimo delirante
de um lugar anônimo
por improváveis mãos
para uma desconhecida solidão
vagante

quinta-feira, 16 de maio de 2013

LANÇAMENTO "ESTAÇÃO INFINITA", RUY ESPINHEIRA FILHO




Próximo sábado, 18 de maio, entre 10 e 14h, teremos a oportunidade de conhecer o novo livro de Ruy Espinheira Filho, "Estação Infinita e outras estações", publicado pela editora Bertrand Brasil. Estaremos lá para esse grande evento. Anotem: Livraria Multicampi, LDM, Espaço Itaú, Praça Castro Alves, Salvador, BA. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

ANIVERSÁRIO

mesmo nesse dia
chove em teus verdes vales

e teu peito transborda
enxurrada materna

e exatamente por isso
ainda nesse dia
passas a noite numa emergência hospitalar

tua festa assim se desdobra
em rugas
e silêncios abissais

mesmo nesse dia
abres o leque de renúncias
e tua alma decanta
um sonho antigo

enquanto a chuva desce
por teus verdes vales


segunda-feira, 13 de maio de 2013

CARTAS BAHIANAS, LANÇAMENTO


A P55 e os autores convidam para o lançamento de "Trem de risco", de Ana Bárbara Sousa, e "Muadié Maria", de Martha Galrão, cujo blogue pode ser acessado aí ao lado. O evento acontecerá amanhã, 14.05, no restaurante Confraria do França (antigo ExTudo), na rua Lídio de Mesquita, 04, Rio Vermelho, a partir das 19h. Sucesso! 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A MÁQUINA DE MADEIRA, MIGUEL SANCHES NETO


                                 A MÁQUINA DE MADEIRA, Miguel Sanches Neto, Companhia das Letras, 2012.

O padre sonhador materializa seu sonho. Julga que irá mudar o mundo com a máquina de taquigrafia. O registro dos sermões, das sessões parlamentares, facilitados. Então, na exposição nacional de 1861, perguntam-lhe: “Qual o valor do seu produto?” O produto do sonho pode pertencer a esse tempo, mas não o sujeito que sonha, que jamais pensa no valor comercial de sua criação. O padre sonhador não sabia que o valor desejado era diverso do seu. 

Houve uma infância brasileira, uma juventude, e de lá saltamos para o caquetismo atual, sem passar pela maturidade. Queimamos madeira, poluímos a água, produzimos sonhos sem valor algum até serem apropriados por alienígenas. Um padre, um homem que sonhava, que amava a escrava que comprou e libertou, um que inventou a máquina de escrita antes de ela ser patenteada pelos gringos. História mais brasileira, impossível. Romance histórico, painel de uma época, interessante viagem ao que nunca deixamos de ser. Nós, os que jamais sabemos o valor do nosso produto, do nosso sonho.


Publicado originalmente na revista eletrônica Verbo 21 (www.verbo21.com.br), edição de abril 2013.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

SALVADOR, ZONA AZUL


O flanelinha me apresenta a nova cartela de estacionamento:
 Agora é três reais, doutor, tá vendo aqui?
Vi, realmente, três reais cintilando na azulzinha.
 Parece que não teve jeito, né? O prefeito botou pra arrebentar, dobrou o preço.
O flanelinha, aqui chamado por alguns de guardador, deu um risinho:
 É, mas pra nós aumentou só 10 centavos.
 Como assim?  dessa vez não guardei na bochecha a perplexidade.  Quando era 1,50 vocês não tiravam a metade, 75 centavos?
Foi aí que o suado flanelinha me mostrou um papelucho com anotações a caneta:
 Tirava. Mas olha aqui, doutor, na cartela de três reais a gente deixa agora na prefeitura 2,15. Portanto, a gente tira agora somente 85 centavos na cartela de três, um aumento de 10 centavos. E a gente torrando neste sol...
Esta a lição do liberalismo baiano: 100% de aumento na despesa do usuário da classe média, quase 200% de aumento no faturamento da prefeitura e meros 10 centavos, pouco mais de 10% de aumento pro trabalhador.
Agora, tirem uma linha, como dizia minha mãe.