sexta-feira, 30 de julho de 2010

ENCHENTE




Martha Galrão, do blogue "Maria Muadié", descobriu lá no desativado "miniconto.zip.net" um texto meu de muitos anos, nem sei mais quantos. Sei apenas que o texto brotou de episódio materno por ocasião da grande cheia do rio São Francisco, de 1979, que fez milhares de desabrigados em Ibotirama e botou minha mãe de viagem para a roça, tão logo a água apontou num dos cantos da praça Deraldino Lino de Souza.

Agora, Martha me diz em comentário no post abaixo que lê o texto como poema. Eu me referira a ele como miniconto. Sim, nasceu como poema, poema andou por aí, poema viverá para muitos; e será publicado em "A segunda sombra" como miniconto. Mas que importa o rótulo? Importa que o texto provoque qualquer coisa de estimulante no leitor. E o leitor, então, o adotará como de sua predileção, o que muito deixa feliz o autor. Grato pela leitura, Martha.

Trago o assunto porque "A enchente" sofreu alterações ao longo do tempo, que resultaram na forma final intitulada "Enchente":

"O rio venceu o cais, invadiu a praça, subiu os degraus da igreja.
Minha mãe, protegida e a seco, foi lá ver:

- Que tragédia, meu Deus! Mas como é bonito!
"

Assim é, assim será.



Imagem: www.flickr.com, por Mááh

4 comentários:

  1. A beleza reside em tudo,
    mesmo nas tragédias.

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  2. Eu também sempre achei que aí está um poema, e um lindo poema. Bjs

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  3. Lembrei da avó de Saramago e sua famosa frase; ótimo, C.

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  4. Concordo com M. Lindo mesmo! Abraço.

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