domingo, 17 de março de 2013

ISADORA DUNCAN POR JOHN DOS PASSOS



 http://3.bp.blogspot.com/-4mXpbDSjO9M/TesbbmvePsI/AAAAAAAAAj8/a5vkOx0c864/s1600/iduncan_1.jpg    http://4.bp.blogspot.com/-HMhpI0xfKxg/UNg4J_PECoI/AAAAAAAAIJo/5gRCXuc8yIg/s640/bizarre-deaths-isadora-duncan.jpg

          Um dia, num pequeno restaurante em Golfe Juan, ela pegou um carcamano bonito que tinha uma garagem e dirigia um pequeno Bugatti de corrida.
          Dizendo que talvez comprasse o carro, ela o fez ir ao seu estúdio pegá-la para um passeio;
        os amigos não queriam que ela fosse, disseram que ele não passava de um simples mecânico; ela insistiu, tinha tomado alguns tragos (não restava mais nada que lhe importasse no mundo além de uns tragos e um rapaz bonito);
          entrou ao lado dele e
          jogou a echarpe de pesadas franjas no pescoço com um gesto largo todo seu e
          voltou-se e disse,
          com o forte sotaque da Califórnia que seu francês jamais perdera:
          Adieu, mes amis, je vais à la gloire.
          O mecânico engrenou o carro e partiu.
       A pesada cauda da echarpe enganchou-se numa roda, enrolou-se com força. A cabeça foi puxada contra o lado do carro, que parou no mesmo instante; o pescoço dela partira-se, o nariz fora esmagado, Isadora estava morta.



Esse, o trecho final do pequeno perfil biográfico de Isadora Duncan, intitulado "A arte e Isadora", posto como capítulo de "O grande capital", do escritor norte-americano de ascendência portuguesa John dos Passos. A trilogia "USA" apresenta vários perfis biográficos, em prosa poética, de personalidades consideradas pelo autor representativas do final do séc. XIX até as portas da Grande Depressão. Monumento literario único e insuperável.

Imagens: Bol Fotos/Google Images

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